Há cada vez mais maçons em Portugal, garantem os responsáveis de várias obediências maçónicas espalhadas de Norte a Sul. Nas duas maiores, o Grande Oriente Lusitano (GOL) e a Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), os pedidos não param de chegar, adiantaram à VISÃO os dois grão-mestres.

Segundo Fernando Lima, que lidera o GOL, a mais antiga obediência do País ultrapassou, neste momento, os 2 600 membros. E Armindo Azevedo, grão-mestre da GLLP, garante que o número de “irmãos” já atingiu os três mil, estando espalhados por 150 lojas.

“Hoje, muitos até se candidatam à maçonaria através da internet ou das redes sociais, como o Facebook. Fazem autocandidaturas”, conta, por seu lado, Paulo Cardoso, líder de uma maçonaria recente, que tem sede no Beato, em Lisboa. A sua obediência chama-se Grande Loja Unida de Portugal e foi criada em 2016, tendo resultado de uma cisão dentro da GLLP, donde Paulo Cardoso (que, em tempos, chegou a ser vereador da Câmara Municipal da Guarda pelo PSD) saiu com um grupo de outros maçons.

Atualmente, a nova estrutura conta com 350 membros, revela Paulo Cardoso, explicando que a entrada ainda é feita, na maioria dos casos, por convite. “Somos rigorosos e fazemos um escrutínio aprofundado”, assegura, adiantando que, para entrar, são cobrados 700 euros, fora o que, todos os meses, se paga à loja a que o ‘irmão’ pertence – um valorpraticamente igual, na maioria das obediências.

Mais recente é a Grande Loja Soberana de Portugal, criada em 2018 por um grupo de maçons que se zangaram e saíram da obediência de Paulo Cardoso. São um grupo que gosta de praticar um ritual português com referências à História de Portugal e que tem como grão-mestre João Pestana Dias, um homem ligado ao mundo artístico – um dos seus ‘irmãos’, nesta obediência, é o cantor Fernando Pereira.

Também Pedro Rangel, diretor de uma sociedade corretora e que comandou nos últimos anos uma das obediências com maior crescimento, tem registado um aumento da procura. “Temos tido um crescimento exponencial”, nota Pedro Rangel, o maçon que lançou a Grande Loja Simbólica de Portugal. “Penso que cada vez há mais pessoas a aderir à maçonaria devido à falta de valores na nossa sociedade”, considera, adiantando que a adesão tem sido tanta que, neste momento, são mais de 450 membros.

Durante anos, foi Pedro Rangel – recentemente eleito para a direção de uma estrutura internacional, a Aliança Maçónica Europeia – quem ocupou o cargo de grão-mestre, mas entretanto passou essa pasta a Bruno Filipe, um empresário de 44 anos da área da Saúde. Esta maçonaria é mais elitista e, em algumas das suas lojas, praticam-se rituais mais longos, que chegam a durar horas. Além disso, alguns grupos fazem juramentos, recorrendo a sangue verdadeiro. Esta estrutura lançou também uma “via mista” – que aceita mulheres –, a que chamaram Grande Loja Simbólica da Lusitânia. Já tem 200 elementos, grande parte do sexo feminino.

É que não são apenas os homens a procurar estas organizações, em que se fazem rituais e se usam aventais. Há cada vez mais maçonas no País – um fenómeno visível pelo número de lojas que a Grande Loja Feminina de Portugal tem, neste momento, de Norte a Sul. Ao todo, são 22: 11 em Lisboa, duas no Porto, duas em Coimbra e uma na Figueira da Foz, em Évora, em Leiria, no Algarve, em Viseu, em Vila Real e em Angra do Heroísmo. Muitas surgiram nos últimos anos: desde 2016, abriram cinco lojas. Rogélia Neves é quem assume a liderança destas lojas, que aceitam apenas mulheres.

Muitos dos seus membros partilham também rituais com outra obediência, a Federação Portuguesa do Direito Humano, mas, aqui, dividem as lojas com homens. As mesmas reuniões mistas acontecem noutras obediências. É o caso da Grande Loja Nacional de Portugal, que tem sede em Braga euma área de influência no norte do País, sendo liderada por Álvaro Carva, um homem da banca. Também na Grande Loja Tradicional e no Grande Oriente Maçónico de Portugal, homens e mulheres misturam-se em sessões ritualistas.

A procura é tanta que há, até, grupos de maçons que se reúnem em Portugal mas pertencem a obediências estrangeiras. Um deles está ligado ao Grande Oriente Ibérico, tem sede na Corunha, mas alguns portugueses aderiram e fazem reuniões em Lisboa. Ao todo, são 200 membros na Península Ibérica. Há também lojas isoladas de portugueses que são dirigidas por estruturas espanholas e francesas. E no Algarve, a vinda de ingleses acabou por levar a que estes se juntassem e abrissem, nos últimos anos, várias lojas maçónicas no sul do País. “A par destas obediências, umas mais respeitadas do que outras, há lojas selvagens em todo o lado”, explica fonte da maçonaria, esclarecendo que estes são grupos de pessoas que se reúnem sem, no entanto, pertencerem a nenhuma estrutura nem cumprirem todas as regras maçónicas. Porém, quase todas praticam rituais, usam avental e reúnem-se em segredo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.