O PT baiano parece ter decidido trocar o discurso de paladino da democracia pela judicialização do debate político. De um lado, mira o ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias, que declarou voto em Lula e ACM Neto. De outro, aciona o deputado estadual Leandro de Jesus (PL) por exercer o papel de fiscalização, uma das funções mais elementares da oposição. Na prática, a mensagem que fica é de intimidação. Em vez de responder no campo político, tenta levar o embate para os tribunais. É um péssimo sinal para quem passou anos se apresentando como guardião das liberdades democráticas. Num país já marcado pela excessiva judicialização da política, recorrer à Justiça como instrumento de enfrentamento contra adversários apenas reforça a percepção de intolerância ao contraditório e de tentativa de constranger vozes divergentes.

Nos bastidores, há quem faça um alerta ao próprio PT: a ofensiva contra Tiago Dias pode produzir um efeito político indesejado. O ex-prefeito é declaradamente apoiador de Lula, mas rejeita apoiar Jerônimo. Ao transformar esse grupo em alvo, o partido corre o risco de ampliar o desgaste junto a um eleitorado que continua lulista, mas demonstra crescente insatisfação com a gestão estadual. Em outras palavras, na tentativa de defender Jerônimo, o PT da Bahia pode acabar afastando votos que, até aqui, permaneciam com Lula.

 

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